A Boca: O Poder Transformador da Palavra

A boca é um
órgão extraordinário. Através dela damos forma ao pensamento, expressamos
sentimentos, construímos relações e, muitas vezes sem nos apercebermos,
influenciamos profundamente a realidade que nos rodeia.
Por isso,
existe também uma responsabilidade naquilo que escolhemos dizer.
As palavras
podem acolher ou ferir, aproximar ou afastar, esclarecer ou confundir. Podem
ser sementes de esperança e crescimento, mas também podem deixar marcas
difíceis de apagar. É essencial, por isso, aprender a utilizá-las com
consciência, procurando que sejam sempre construtivas, esclarecedoras e
vivificantes.
Mesmo quando
falamos a partir daquilo que julgamos saber, ou quando procuramos interpretar
aquilo que ainda não compreendemos plenamente, devemos ter como propósito maior
ajudar, esclarecer e contribuir para o bem de quem nos escuta.
É nesse
cuidado com a palavra que começamos, também, a construir um futuro mais
luminoso.
Nos
Evangelhos encontramos uma afirmação profundamente significativa: “Pelas
tuas palavras serás justificado e pelas tuas palavras serás condenado.” Para
além da sua dimensão espiritual, esta frase encerra uma reflexão poderosa sobre
a responsabilidade que existe em tudo aquilo que dizemos. O nosso caminho pode
tornar-se mais luminoso ou mais sombrio consoante a forma como utilizamos a
palavra ao longo da nossa existência.
As palavras
têm, portanto, uma importância muito maior do que aquela que habitualmente lhes
atribuímos. Merecem reflexão, consciência e, sobretudo, atenção.
Antes de
abrir a boca, talvez valha a pena perguntar: aquilo que vou dizer acrescenta
alguma coisa de bom?
A tradição
espiritual afirma: “Do verbo se fez a carne.” E é precisamente nesta
ideia que encontramos uma das dimensões mais profundas da palavra: através
dela, algo pode nascer, crescer e florescer. Mas também pode definhar e
apodrecer.
Quantas
vezes uma única palavra foi suficiente para alterar o rumo de uma relação?
Uma frase
dita no momento certo pode aproximar duas pessoas. Uma palavra impensada pode
criar uma distância que, mais tarde, se torna difícil de ultrapassar. Todos
nós, de uma forma ou de outra, já experimentámos o poder transformador daquilo
que dizemos e daquilo que ouvimos.
Segundo
determinadas tradições energéticas, a palavra resulta da convergência de
diferentes dimensões do ser humano. Nela encontramos a força da vontade,
associada à respiração e à capacidade de expressão; a dimensão do coração,
através dos sentimentos que acompanham aquilo que dizemos; e a dimensão do
intelecto, presente na organização dos pensamentos e na construção das ideias
que transformamos em palavras.
A palavra
encontra ainda uma ligação à criatividade, pois é através da boca que aquilo
que existe no nosso interior ganha expressão e se manifesta no mundo.
Esta
perspectiva permite compreender a palavra como o encontro de diferentes forças
que habitam o ser humano. Uma energia poderosa que pode ser utilizada para
construir ou para destruir, para curar ou para ferir, para aproximar ou para
separar.
Talvez por
isso seja tão importante observarmos a forma como falamos.
Durante esta
semana, experimente prestar uma atenção especial às suas palavras. Observe não
apenas aquilo que diz, mas também a intenção com que o diz, o tom que utiliza e
aquilo que provoca nos outros.
Faça da
palavra um exercício de consciência.
Procure
escolher o verbo no seu sentido mais elevado. Se já o faz, procure fazê-lo
ainda melhor.
Porque
aquilo que dizemos não desaparece simplesmente no momento em que as palavras
deixam a nossa boca. Muitas vezes, continua a viver na memória, no coração e na
vida de quem nos ouviu.
Que as
suas palavras sejam, sempre que possível, sementes de luz.
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